Proposição artística: participe das reuniões dos conselhos de classe do seu município e produza algo a partir da experiência.

 Essa coisa toda de artista é esquisita pra caramba. A um tempo atrás o Lucas me parou no meio de uma festa e me disse que era meu fã. Sei que o Gabriel já chorou lendo em voz alta um texto que escrevi. Pedro uma vez disse que tinha vontade de escrever uma pesquisa pensando na minha produção. Não sei qual o tamanho dessas coisas e de uma maneira ou outra elas me fazem sentir que tem algo de interessante no que produzo. Ari me encomendou um desenho a uns meses e achei isso bem maneiro. Ainda assim tem uma parte de mim que se encolhe e se esconde no meio da coisa toda. 

Tenho muito medo de me impor sabendo do quão facilmente conseguiria e não sei muito bem como me sinto sobre isso. Desenho pra caramba, escrevo pra caramba, leio pra caramba, penso pra caramba e as vezes sinto que nada sai disso. Ainda assim tem gente que acredita em mim e no meu trampo e que se esforça pra que eu tenha as condições de continuar produzindo. 

Continuo, nem sempre no mesmo ritmo. Tenho o costume de aos poucos aumentar a complexidade de tudo que faço sempre que as coisas ficam um pouco fáceis de fazer. Acho que é um pouco como musculação. Minha noiva é educadora física e tem me ensinado bastante sobre como o corpo funciona e sobre como pra ficar mais forte de verdade a gente precisa ir mesmo até o momento de não aguentar mais porque é assim que se empurra os limites da capacidade. Acho que tudo é um pouco assim.

Tenho me sentido mais ousado nos desenhos, nos textos, nas poesias e nas possibilidades de unir de uma maneira ou outra todas as coisas que faço. Acho que até pouco tempo atras eu vinha me preparando. Posso não estar no cem por cento ainda, mas já tô no setenta e nove. Desenhei menos por esses dias porque tenho feito muito mais de muitas outras coisas sobre as quais ainda quero falar mais por aqui. Tô terminando um quadrinho, propondo outro e me organizando pra fazer cada vez mais e melhor. Ficam aqui os processos do paint que ainda não tinham vindo pra cá.


 
 

  







 

























Um relato subjetivo de uma ação interessante.


 No ano de 2024 escrevi um projeto que foi contemplado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc pela prefeitura do município de Taquari, no Rio Grande do Sul. Nem sempre a realidade acontece igualzinho o planejamento e nesse caso ela aconteceu de uma maneira razoavelmente diferente. 

A proposta era usar o espaço que tenho aqui na frente de casa como sala de aula pra trabalhar os fundamentos do desenho com jovens e adultos. Divulguei pelas redes sociais, pelo boca a boca e apesar de que algumas pessoas tenham demonstrado interesse nenhuma se comprometeu com a participação até o momento em que a divulgação chegou no EMEF Pedro Pereira Machado onde fui muito bem recebido pela direção que acolheu o projeto de braços abertos. Elas me apresentaram os horários que os alunos tinham disponíveis, me ofereceram uma sala e lá fui eu na quinta-feira seguinte.

A turma era composta por estudantes do quinto ao nono ano do ensino fundamental e logo percebi que já existiam entre eles uma série de dinâmicas estabelecidas que seriam relevntes para o desenvolvimento do trabalho. 

No que diz respeito ao desenho a turma era bastante variada, a maior parte das crianças se encontravam na etapa do desenvolvimento do desenho onde se desenha o que se sabe sobre a aparência das coisas ou como se imagina que elas deveriam ser. Os desenhos eram representativos de ideias e se encaixam no que autores como Piaget chamam de esquematismo, um desenho capaz de comunicar uma ideia simples. As capacidades motoras variavam dentro de uma curva normal, com dois casos específicos de alunos que demonstravam dificuldade no controle da estabilidade das linhas sem o uso de força excessiva. quatro dos estudantes demonstravam um desenho que já se encaminhava à figuração realística, elaborando desenhos que se pareciam menos com a ideia das coisas e mais com as coisas em sí. 

As crianças se demonstraram bastante atentas e exceto por pequenas interrupções participavam dos encontros de maneira ativa, com os eventuais testes de autoridade que são comuns à idade. O grau de habilidade social e comunicativa dos alunos variava em grande quantia entre a timidez e a desinibição. E enquanto eu os conhecia pra direcionar os exercícios e os conteúdos à um caminho que lhes fosse interessante eles também me questionavam e perguntavam afim de entender meus meios e motivações. Aos poucos pude perceber alguns padrões de comportamento que se repetiam em determinados alunos que me ajudaram a construir abordagens adequadas a cada um deles. Afim de ilustrar essa adequação aponto dois casos específicos onde um problemas semelhantes foram manejado de maneiras específicas de acordo com a personalidade percebida e a relação construída com os estudantes em questão. O que havia em comum entre as pessoas em questão era a expressão de uma grande frustração com as próprias capacidades que se manifestava tanto de maneira verbal quanto física. 

O primeiro caso é o de um menino do sétimo ano que percebi ao ouvir dele afirmações como: "se tivesse um concurso pra decidir o desenho mais feio o meu ia ganhar" ou "não vou conseguir então não vou nem tentar". A frustração também se demonstrava nele de maneira atitudinal, o receio de que o seu melhor não fosse o suficiente colocava ele numa posição de desleixo com a execução dos exercícios. E esse foi o sintoma abordado, tentei ao longo dos encontros encorajar o aluno a tentativa, evitando a punição de erros e orientando a melhora de acordo com as necessidades percebidas pelo olhar do próprio aluno que não se sentia satisfeito com os desenhos que produzia. Ao final do período da oficina ele parecia mais participativo, mais animado e mais criativo com a prática do desenho. Explorando tecnicas e possibilidades.

O segundo caso é uma menina do nono ano que frequentemente amassava os próprios desenhos e os jogava no lixo sem deixar que ninguém visse. Após algumas conversas percebi que ela tinha vergonha de não ser tão boa quanto gostaria e abordei esta frustração de maneira direta. Indicando maneiras de melhorar os desenhos e incentivando novas tentativas em conjunto de um feedback direcionado para que ela atingisse melhores resultados levando em conta as suas capacidades atuais, seus desejos e os conteúdos abordados em aula. 

As questões de coordenação motora foram abordadas a partir de exercícios tecnicos que focavam no controle da pressão e na precisão dos traços. 

Os alunos demonstraram um interesse crescente na atividade do desenho e um dos momentos mais interessantes do percurso de oficineiro veio em um dos últimos encontros onde um exercício de composição acabou se tornando, por proposição dos próprios alunos um exercício de contação de histórias através do desenho. Ali surgiram histórias de amizade, de solidão, de curiosidade, de esporte e de contemplação. Foi um festival de auto-expressão e honestamenete me senti bastante feliz com os resultados. Na tentativa de organizar com os alunos uma exposição percebi um certo desinteresse dos mesmos na elaboração de uma exposição com uma temática e na produção de trabalhos pra isso e em uma conversa com a supervisão da escola decidimos fazer uma exposição com os desenhos já produzidos, demonstrando desenhos que eram representativos dos treinos e das explorações que ocorreram ao longo dos encontros. 

Na minha penúltima visita à escola fizemos uma roda de conversa onde apresentei aos participantes as minhas percepções do desenvolvimento de cada um, de suas personalidades, suas capacidades de resolver problemas. Conversamos sobre desenho e ouvi também o feedback dos alunos sobre mim, sobre os exercícios e também sobre meu estilo como professor. De todos os lados sinto que a experiência foi positiva.

Devido a mudança que aconteceu no cronograma do projeto e a um conflito com um outro trabalho acabei me ausentando da cidade no fim de semana onde aconteceu no E.M.E.F. Pedro Pereira Machado a exposição dos trabalhos dos alunos. A exposição foi montada com exercícios desenvolvidos ao longo da oficina que demonstravam o percurso dos alunos ao longo do processo de aprendizado. 

Ao longo do período das oficinas foi desenvolvido também um livreto de instruções de desenho no formato A6 no qual abordo os mesmos temas abordados nas oficinas e ofereço uma série de exercícios extras para que os alunos continuem pensando e praticando desenho após a finalização dos encontros. Este material está disponível aqui. A palavra aqui no final da frase anterior é o link para o download no caso. Gostei muito de executar do projeto e eventualmente acho que falo mais sobre ele por aqui, no mais é isso. Abraço querides! Até a próxima!











Será se dá preu começar a me apresentar como escritor?

Tenho me sentido progressivamente mais agressivo e menos raivoso. As vezes amo tanto as coisas que tenho vontade de destruir elas, abraçar até explodir e essas coisas. É um pouco assim que me sinto com a vida. O mundo vai de mal a pior já faz um bom tempo, eu tinha dezesseis anos quando percebi pela primeira vez. Acho que a coisa toda tá uma loucura tão maluca que me impressiona um pouco ver como as pessoas continuam vivendo. Sim, o modelo de vida globalizado explora os recursos naturais de uma maneira completamente descontrolada e destrutiva. Mas se não fosse assim, como compraríamos carros, eletrodomésticos e celulares? Se o mundo não for explorado como vamos comprar roupas, bolsas e sapatos? Sem criança escravizada como é que a gente vai viver sem chocolate? É complicado de mais mudar o mundo, sem a poluição sistemática dos nossos rios, como é que a sociedade vai lucrar? Imagina, se a gente parar com a exploração como é que vai ter um jogo novo do God of War? Não dá pra mudar o mundo sem abrir mão do conforto e do suposto sucesso do mundo em que vivemos. Pra uma quantia considerável de pessoas sou um retrato fidedigno do fracasso. Em um mundo onde as pessoas de sucesso precisam de remédios controlados pra aguentar a própria mente ser um fracassado não me incomoda. 

Eu sou ruim nas coisas que eu faço, um revolucionário de merda. Não consigo sobreviver na terra só com a força do meu trabalho e meu trabalho na rua caminha em passos de formiga, tô aprendendo. Não tô pronto pra e nunca tive pronto pra nada. Tenho me preparado. Porque no fim das contas eu faço de maneira consistente e sei que daqui pra frente é isso que vai importar. Habilidade é o resultado do treino. 

Dia desses vi na internet um doidão falando sobre uma ideia que ele chamou de calistenia anarquista: uma espécie de treinamento cotidiano onde a desobediência aos pequenos autoritarismos do dia a dia nos prepara para o momento onde precisaremos de fato nos levantar contra a cultura. Tenho pensado muito sobre ser e viver na e da contracultura. Sobre os erros dos movimentos contra culturais do passado, sobre os seus acertos e sobre o que isso nos ensina para as próximas tentativas. Não tenho a pretensão de parar de tentar. 

Eu acho engraçadíssimo o quanto os diálogos que vejo acontecendo entre pessoas de fora do espaço da filosofia das artes fazem um uso profundamente errado da ideia de estética. Movimentos contraculturas são movimentos estéticos, não porque eles se parecem diferentes, mas porque organizam a experiência de vida de uma maneira completamente diferente, valorizam coisas diferentes, agem de maneiras diferentes e se expressam de maneiras diferentes. E é essa expressão que os exploradores e idiotas tentam compreender e emular quando usam a palavra estética. O que essa gente falha em compreender é que muitas vezes a existência contra cultural é um processo estético em si e que o que se vê do lado de fora é o resultado de um modo de vida, não uma escolha visual. Normalmente quem é parece, mas da pra ser sem parecer e parecer sem ser. 

Anarquia é a poética e arte é a qualidade da expressão, pintar é só uma técnica e a pintura é só uma mídia. Me pergunto o que meu amigo Pedro me diria sobre essa afirmação. A forma é mais importante que o conteúdo em uma quantia considerável de casos, as vezes o conteúdo significa menos do que o modo como ele é apresentado. Tenho escrito poesia nos últimos meses, desenhado também, hoje o que acompanha o texto é poesia, os desenhos hão de vir logo mais. Acho que a quantidade diminuiu conforme a complexidade foi aumentando. 

Esse blog fez cinco anos ano passado. Engraçado pensar sobre isso. Gosto daqui.

























Eu e Wal estamos namorando! Eu tô muito feliz!

Tenho um pouco de vergonha de falar de sentimentos positivos em público e acho isso engraçado. Queria escrever sobre a Wal, sobre essa coisa toda de namorados, sobre o passeio na beira da praia, sobre ficar do lado certo da calçada, sobre o jeito que o mundo inteiro desaparece quando ela sorri pra mim e eu fico completamente sem palavras. Olhar pra ela me emociona. Fico feliz quando penso que somos namorados e cada dia com ela é um conjunto maravilhoso de cenas de alegria, compreensão, amor e amizade.  Gosto de contar pra todo mundo que ela é muito forte e que de tempos em tempos me carrega nos ombros ou nas costas e que eu fico muito feliz quando isso acontece. Gosto de carregar ela também, a gente se exercita juntos e é muito legal! Ela sabe muito sobre muitas coisas e tem me ensinado um monte. O jeito como ela se expressa é deliberado e delicado e nada me faz sentir tão em paz quanto o rosto dela quando a gente relaxa. A parte de mim que ainda tem seis anos fica tentando gesticular e fala todas as palavras bonitas que consegue sentindo que nenhuma delas é bonita o suficiente e que precisa colocar todas as palavras empilhadas uma em cima da outra como quem faz um megazord de significados que finalmente, com um raio laser expressivo consegue transmitir toda essa coisa boa que eu sinto no meu corpo e no meu espírito quando passo tempo com ela. A parte de mim que é adolescente nunca se sentiu tão acolhida e honestamente não sabe muito bem o que fazer com isso. A parte de mim que é adulta organiza como se sente e acalma as outras duas: Suas palavras são lindas e da pra ver o seu esforço, ele significa muito;  é isso mesmo fera, você entendeu muito bem o que ela disse, ela te ama - pode relaxar.  E com meu coração em mãos, eu que sou adulto confio, aprecio, agradeço e retribuo. Eu amo de mais essa mulher.


Esse texto tinha uma introdução e eu apaguei ela.

Estado Terminal.

Do lado da fila pra embarcar no ticen-tican no horário de pico, tinha um maluco com uma placa gigante dizendo que o mundo já acabou e ele falava muito alto e muito sério com alguns outros malucos que escolheram dar atenção pra ele e a conversa seguia mais ou menos assim.

Existir fora da lei é uma questão de segurança! Qualquer idiota entende o que tá acontecendo dentro dos estados unidos agora e talvez seja importante prestar bastante atenção no modo como as leis são usadas pelas pessoas que estão no poder quando elas querem de verdade fazer alguma coisa. Porque quando elas não querem fazer alguma coisa a gente sabe como elas agem, a gente sabe como agem os legisladores que se comportam como quem sempre perde e os que se comportam como quem sempre ganha. E o problema de existir dentro da lei é que isso significa dançar o ritmo da dança das cadeiras de um monte de palhaço velho e rico com os quais literalmente nenhuma negociação de verdade é possível a não ser que você tenha muito dinheiro ou esteja disposto a negociar com um pedaço da sua alma e o problema de negociar com a alma é que isso te corrompe, você querendo ou não. Quem compromete um pedaço de si, compromete o todo. 

Quando a sua segurança, a sua alimentação, o seu cuidado, a sua saúde e outros fatores fundamentais da sua existência são responsabilidade de pessoas que não te conhecem mandadas por velhos ricos que você não conhece e que ficam a cada dia mais ricos enquanto o mundo fica cada dia pior você é obrigado a viver dentro das limitações que eles colocam na sua vida. Talvez você não veja as limitações, talvez você não se importe com elas, talvez pra você seja bom que nem todo mundo consiga ou seja incentivado chegar aonde quiser, talvez pra você um mundo com mais dinheiro é melhor do que um mundo com mais pessoas felizes, talvez você seja uma expressão dessa doença imunda que parasita a mente de muita gente e faz com que essa engrenagem gigante de moer carne e espirito continue a rodar. Porque não é só a carne, essa porcaria também esmaga a mente e tenta nos convencer de que nossas dores serão permanentes, tenta nos dizer que não existe alternativa. Nos faz pensar que não conseguimos, que somos fracos, que somos poucos, que somos pobres e que não temos iguais ou aliados. Esse sistema maldito faz a gente achar que é inimigo um do outro, faz o possível pra que a gente aceite o que eles chamam de verdade: que nascemos e que vamos morrer sozinhos.

Nascemos do encontro de dois seres na ponta de um conjunto maior ainda de encontros. Nada do que se tem existe sem um movimento coletivo gigantesco de milhares e milhares de seres dos mais variados reinos, tipos e espécies. As palavras que usamos são uma invenção coletiva que se aprimora e se transforma através das gerações à milênios. Pensa como vossa mercê foi aos poucos reduzido à cê sem perder um milímetro de sentido. Somos resultado de um acúmulo geracional de informações físicas, mentais e emocionais. Somos uma parte de um todo, apenas mais um fio na grande tapeçaria da humanidade. Alguém já disse isso em algum lugar. A gente não tá sozinho e nenhum esforço nunca é em vão. Se você quer que as coisas mudem, você tem toda a capacidade necessária pra fazer com que elas mudem e nunca vai dar pra saber o quanto até você tentar. E você não precisa da lei. 

A lei é o que permite que os velhos ricos te controlem. Os contratos servem pra que a gente permita que os velhos ricos decidam sobre os nossos conflitos. Se não tivesse lei, nenhum desses velhos falaria nenhuma das bobagens que eles falam porque eles iam apanhar - julgue você se você acha que isso é melhor ou pior do que o que temos. Se não tivesse lei essa porcaria de guerra interminável em que a gente vive não seria secreta, seria declarada. Porque talvez tu não tenha entendido, mas a gente vive em lei de guerra e a guerra é contra uma parte específica da população e se tu não sabe do que eu tô falando ou acha que isso é loucura você não é meu aliado. A lei que garante os direitos dos americanos é a mesma lei que tá sendo usada hoje pra atacar sistematicamente grupos específicos da população americana. E a lei que garante os direitos do povo brasileiro é a lei que é usada hoje pra atacar sistematicamente grupos específicos da população brasileira. 

A gente precisa de um mundo fora da lei, de um mundo que se recuse à dobrar os joelhos pro que diz um, outro ou a maioria, a gente precisa de lugares onde a vida seja envolvida nela mesma, a gente precisa de menos instâncias neutras e cegas. A gente precisa de um mundo onde a justiça não possa permitir que se morra de fome ou que se viva sem abrigo por nenhum motivo além de escolha. A gente precisa de um mundo onde os velhos ricos não podem nos dizer o que fazer e nem nos punir por fazê-lo e esse mundo não vai chegar pela lei que os velhos ricos escrevem, esse mundo precisa ser construído pelas mãos de quem acredita nele. 

Meu ônibus chegou e a fila começou a andar. O próximo só chega em uma hora e eu ainda preciso pegar o Rio Vermelho no outro terminal, não tem condição de continuar ouvindo. Embarco no ônibus e consigo um lugar pra me sentar, escoro a cabeça na janela e tenho mais um episódio dissociativo enquanto volto pra casa depois do trabalho. Melhor pensar em outra coisa.