Uma fofoca não-identitária.

Oi, 

Amar é o meu sentimento favorito e amo sempre que posso. Penso sobre o valor de amar sozinho e lembro que entendo o valor de me sentir amado. Me faz pensar que deus é uma ótima ideia. Alguém que ama e é amado incondicionalmente. Se for assim, metade de deus garanto que consigo. Porque amo cada centímetro, cada milímetro, cada detalhe, cada conjunto, cada grupo, cada cadência, cada minuto, cada segundo, cada unidade possível. Amo tudo e faço tudo por amor. Inclusive viver. É por amor que te procuro e é com amor que te encontro e você sabe disso. Também é com o amor que falho, quero falhar menos e melhor. Esse é o tipo de coisa que eu só escrevo pra você e você sabe disso. Ninguém se conhece do jeito que a gente se conhece. Só a gente sabe de tudo que a gente já viu um do outro. Provo isso escrevendo aqui, ninguém além de você vai conseguir entender de verdade o que esse texto significa. Quando você me ama tudo vale a pena e eu me sinto leve. Quando você me ama e eu aceito o teu amor literalmente nenhuma outra coisa no mundo inteiro me importa. Quando você me deixa eu sigo te amando, as vezes eu choro, as vezes eu faço birra, as vezes eu até ligo no telefone pra reclamar e sigo te amando. Quando você volta, faço festa e abano o rabo, era você mesmo que eu tava esperando. Foi você quem me ensinou - estamos unidos - não temos escolha. Mando com esta mensagem alguns desenhos. Foram feitos pra você, você já viu eles todos e muitos outros. Algumas coisas só existem por você. Eu sou uma delas. Sigo te esperando.


Assinado: O seu cachorro que te ama muito. 



















 p.s: sinto saudades de te lamber! 

Tem coisa que não dá pra deixar na gaveta.

 No meio desse ano Bárbara se formou em Engenharia Civil e eu tive a oportunidade de fotografar de novo uma das minhas pessoas favoritas. Passamos uma tarde em uma chácara muito bonitinha nos arredores de Pelotas enquanto rolavam as fotos de todos os formandos e aproveitamos o espaço pra fazer algumas fotinhos específicas pra ela. Esse é um pouco do resultado. 

Escrevi alguns outros textos sobre essas fotos. Um falando sobre celebrações e sobre como foi bonito pra mim participar dessa. Um sobre Bárbara e sobre tudo o que ela me ensinou. E um sobre mim mesmo, sobre os motivos de essas fotos terem demorado tanto a aparecer por aqui e sobre como me sinto sobre elas agora. 

Lá em 2017 Bárbara foi a primeira amiga pra quem escolhi expressar que me sentia grato por ter conhecido. Com um áudio na virada do ano de 2019 ela me fez entender o valor das celebrações anuais. Na formatura dela aprendi a apreciar a celebração de uma conquista. Hoje, celebro as memórias, a oportunidade e as saudades.




























Cadernos, memórias e práticas II.

Tem coisa que é mais difícil do que parece. Tem coisa que só da pra ver depois de mudar de perspectiva. Tenho estudado bastante a ideia de perspectiva e tenho movido a minha de pouco em pouco para um espaço onde eu seja capaz de ver a vida de um jeito melhor. Sinto saudades de olhar pros meus cadernos antigos. Logo mais encontro eles de novo.

Percebi a poucos dias uma decisão que tomei já a um tempo. Percebi a profundidade de espaços que já estavam abertos a muitos anos. Percebi o tamanho da minha covardia e encarei por um tempo os estragos que ela me causou. Tenho me sentido cansado de ser covarde e de me proteger. 

Quando eu era pequeno, eu achava o Kenshin - de Rurouni Kenshin (Samurai X é o título de capa da versão que saiu por aqui nos anos 2000) - muito legal porque ele tinha umas cicatrizes no rosto e ao mesmo tempo era uma pessoa legal e gentil. Personagens com cicatrizes em geral me interessam muito, sempre gostei de pensar sobre as marcas que a vida deixa na pele. 

Me machuco com frequência e nem sempre é sem querer ou sem esperar. Carrego marcas que as vezes aparecem nos gestos, nas palavras e no modo de agir. Deixei feridas serem abertas e reabertas numa tentativa de escondê-las. Sofri em silêncio. Sorri em silêncio também. Nunca fui muito de compartilhar como me sinto - nem comigo mesmo. Tenho me esforçado pra mudar isso.

Não acho que exista nada mais difícil do que ser vulnerável. Pelo menos não pra mim. Também não sei se existe algo mais recompensador. Percebi a poucos dias que todas as vezes em que eu dei as costas pra alguém foi em busca de um abraço. Pensei em todas as vezes em que alguém deu as costas pra mim. Me arrependo de alguns abraços que não dei. 

Ainda não sei o que é a vida. Nem qual a melhor maneira de viver. Não sei se vou saber dessas coisas um dia. Tenho me permitido sentir o que o eu não permitia e evitado de me apegar à isso. Meu isso é muito forte. Meu eu é traiçoeiro. Os outros não são meus. Navego pelo entremeio. 

Esse caderno tem um bom tempo de desenho e como todos os outros marca pra mim o começo e o fim de uma história e de uma versão de mim mesmo. Daqui pra frente é outra vida e sou outro eu.