Eu cortei os dois primeiros parágrafos deste texto.

A observação ativa ao desenhar algo que se vê, as vezes faz com que eu me impressione com o que eu mesmo vejo. É como se fosse uma re-descoberta não só do mundo à frente, mas de mim mesmo e de como anda a minha visão. Eu gosto de pensar que a qualidade do desenho de observação também fala sobre a qualidade do olhar de quem desenha. 

Nesse sentido, a perspectiva retratada no desenho deixa de ser apenas sobre uma posição geográfica e se torna também sobre as posições que o sujeito ocupa em seus outros planos de existência. O desenho de observação pra mim, acaba sendo uma representação caligráfica da posição de quem desenha e é isso que me atrai nele. 

Ao longo dos meus últimos anos eu observei muitas coisas. De muitas formas reencontrar esses desenhos nos meus diários é um jeito de revisitar esses lugares. As coisas que me atravessavam enquanto eu os observava e como eu era enquanto isso acontecia.

Pra quem quiser ver. Eu fiz um compilado de desenhos que eu fiz, de diversos lugares desde que comecei a guardar meus desenhos em cadernos. Como por muito tempo eu fui contra a prática de anotar datas e também tenho o costume de voltar a desenhar em cadernos antigos sempre que eles são o papel em branco mais próximo e fácil a organização temporal não é a mais precisa de todas, mas tá tudo tão organizado quanto possível.


2015 - 2016



2017 - 2018



2019 - 2020



2021 - janeiro - fevereiro



Eu ainda não posso postar o quadrinho que eu desenhei.

 Há uns meses atrás eu postei por aqui o Mundano, meu trabalho de conclusão de curso. Ele foi meu primeiro projeto grande de narrativa visual e foi a minha primeira tentativa de uma história muda. De quando eu desenhei ela pra cá, eu desenhei um monte e aprendi uma porrada de coisas novas. Trabalhei em histórias de outros autores, participei da produção de alguns filmes animados, fui designer por um tempo, estudei um pouco de quase tudo que me interessou e passei um bom tempo vivendo e fazendo coisas que a gente que é vivo precisa fazer. Em geral mudei muito mais do que eu achei que mudaria. 

Com isso tudo no fundo da cabeça, decidi escrever e desenhar um manga - uma história em quadrinhos como as que se fazem no Japão - de um capítulo, em uma semana. Uma tentativa de entender melhor o que eu consigo ou não fazer. 

Assim que terminei os rascunhos das páginas. No segundo ou terceiro dia eu acabei trombando com um concurso de quadrinhos desse tipo que acontece no Japão. Quando eu descobri que o  evento estava com uma chamada aberta e que o meu manga batia com o tema da edição acabei alongando o prazo. De uma sema para um mês.

Mais tempo, quer dizer mais atenção e pra mim, mais atenção quer dizer mais cuidado. Com o trabalho e comigo. Eu trabalhei em cada página pelo tempo que julguei necessário e descansei pelo tempo que senti que precisava entre cada uma das sessões de desenho. E enquanto eu escrevia esse texto eu descobri que pra participar do concurso eu não posso postar o quadrinho ainda na internet. 

Mesmo assim achei que seria interessante falar disso aqui agora, primeiro porque a experiência ainda está bastante fresca na memória e também porque faz um tempo em que não escrevo nada aqui. Assim que sair o resultado do concurso eu acho que fica tudo bem colocar a história na internet e assim que possível pretendo disponibilizar ela por aqui então fica aí o aviso.

Eu tenho trabalhado em algumas outras coisas. Estou animando algumas ideias antigas de animação e trabalhando em um livro de aventuras do interior gaúcho e um roteiro pra um curta metragem sobre peidos. 

Aos poucos, quero vir falando dessas coisas e de algumas outras por aqui, deixando esses trabalhos em um lugar onde eles podem ser encontrados e registrando de uma forma ou de outra o que tenho feito e o que já fiz.

Espero que a leitura tenha sido interessante até aqui mas caso ela não tenha sido acho que faz parte do jogo também. Pode ser que 2021 seja um ano mais cheio. Se não for, algum outro será. 








Eu não consegui pensar em um bom título pra essa postagem.

Já faz um tempo que eu venho ensaiando essa postagem, eu quero deixar algumas coisas um pouco mais públicas mas sinto que eu preciso de alguma forma justificar como, porque ou desde quando eu faço escrevo rimas. Talvez eu queira me proteger de alguma acusação que eu não sei exatamente qual é, mas que imagino que vai vir. Mais do que todas as outras coisas que eu faço, essas são as que eu mais tenho receio de mostrar. Acho que ta na hora de confrontar isso.

Muita coisa do que eu escrevi já foi perdida, perdi um caderno inteiro em 2017 e as diversas mudanças dos anos subsequentes ajudaram a fazer com que coisas fossem se perdendo por aqui e por ali. Apesar de eu adorar guardar, eu não sou muito bom nisso. Nesse último ano eu tive essa ideia de escrever um álbum e desde então tenho guardado com um pouco mais de cuidado o que escrevo. Eu não sei muito de música então tudo ainda é só texto e algumas melodias que existem na minha imaginação e nas gravações de áudio do meu celular. O plano é descolar um tecladinho ou um violão (talvez os dois) e aprender o suficiente de música pra colocar tudo isso em movimento.

Até lá, vou deixar um pouco do que tenho por aqui. Porque pode ser que alguém ache interessante de ler e também porque se esse álbum acabar nunca acontecendo, fica aqui registrado que ele existiu, se não na sua forma final, como uma ideia.