Acho que eu não teria me dedicado tanto quanto me dediquei à fotografia e provavelmente não teria me envolvido com o mundo do audiovisual. Eu talvez tivesse demorado mais um tempo até descobrir da existência dos editais de fomento e pode ser que eu nunca tivesse começado a tocar pífano, o que significa também que eu nunca teria comprado um sax. Se não fosse por Gigi eu teria demorado muito mais a mexer com animação de verdade e com certeza não teria lido o livro do Richard Willians tão cedo. Eu também teria mantido algumas amizades e talvez tivesse menos gente no mundo me achando cuzão. Se não fosse por Gigi eu certamente seria muito diferente da pessoa que sou hoje e hoje me peguei pensando sobre isso.
Vivi com Gigi por coisa de seis ou sete anos, muito mais se for pensar o tempo de acordo com a intensidade. Moramos em três cidades diferentes e trabalhamos juntos em alguns projetos. Alguns até que vingaram, alguns eu não sei como estão mais e um deles ainda tá na minha mão, progredindo em passos lentos. As vezes me pergunto como anda o cachorro Princeso. Sempre que falo dele pras pessoas que convivem comigo, agora elas riem porque o nome é genuinamente engraçado e o cachorro era genuinamente muito besta.
Foi com Gigi que experimentei e descobri muita coisa sobre a vida e algumas coisas sobre mim mesmo. Foi Gigi que me fez lembrar da importância da leitura e foi acompanhando Gigi que botei os pés em um terreiro pela primeira vez. Foi com Gigi também que eu aprendi que nem todas as dores doem do mesmo jeito e que nem todo mundo grita na mesma hora. Tem quem chore muito cedo e quem só reclama quando já é tarde de mais.
Sempre achei que a gente ia fazer parte da vida um do outro até que a coisa toda se acabasse e de certa forma acho que é o caso mesmo. Partes fundamentais da minha atuação no mundo não seriam como são se eu não tivesse vivido as coisas que eu vivi e é engraçado pensar sobre todas as coisas que começaram em mim a coisa de cinco ou dez anos atrás. Também é engraçado perceber como as coisas acontecem e permanecem de maneiras que nem sempre se parecem com o que a gente espera.
A vida é esquisita de mais e o tempo é subjetivo de mais pra que alguma coisa possa de fato ser entendida enquanto acontece. Algumas coisas não são entendidas nem depois de terem acontecido e as vezes penso que é melhor que seja assim mesmo. Temos o direito de não entender e de não ser entendidos também.
As imagens que compõem essa postagem são um pequeno recorte do que capturei ao longo desse período todo. E apesar de não ser eu nas fotos acho que elas mostram tanto de mim quanto mostram do que tinha na minha frente.





































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