Comecei um curso de produção de documentário esses dias em uma plataforma do governo que está fechada no momento e acho legal pensar que o documentário é mais uma representação do mundo do que uma cópia do mesmo. Talvez um documentário seja tão real quanto uma fotografia e por algum motivo essa frase e as implicações contemporâneas dela me fazem imaginar o Roland Barthes revirando no caixão agora. Não faço ideia do contexto e não consigo esquecer que existe uma metáfora de tubarão em um livro dele de fotografia que eu li na faculdade.
Sempre que vou escrever sobre algum trabalho começo com um desejo esquisito de falar sobre o processo, sobre o desenvolvimento, sobre as etapas de produção e sobre os momentos de tomada de decisão e no fim sempre acho que fazer isso na internet é um pouco besta. Sim é isso que os designers de verdade fazem nos próprios portfólios e apesar de eu entender o impacto positivo disso nas minhas possibilidades de ser contratado futuramente eu também acho um pouco ofensivo ter que explicar pra uma pessoa hipotética que sim eu sou capaz de pensar e resolver problemas e que a solução do projeto conta com uma reflexão lógica e conceitual. Vejam! Eu sou capaz de pensar de maneira complexa!
As vezes prefiro ir pro outro lado, tem uma parte de mim que gosta de ser percebido como idiota, mesmo que tenha também uma parte que se ofenda muito com isso. Acho que a contradição faz parte do sujeito e talvez o sujeito também faça parte da contradição. O ruim de escrever de um jeito meio livre associado é que de tempos em tempos o fio da meada se perde um pouco.
Acho que se perder um pouco sempre faz um pouco de parte de todos os meus processos e também acho que a essa altura do campeonato os textos diretos, simples e técnicos são o território dos robôs. Eu gosto do Repolho, gostei de trabalhar com ele e espero que a gente trabalhe juntos mais vezes no futuro. Agora que o filme que ele me chamou pra fazer já passou pelo circuito de editais vou deixar ele linkado aqui. Eu fiz o cartaz e as vinhetas animadas. Foi legal e horroroso como são todos os processos.
Ficam aqui algumas imagens, rascunhos e etc. Peço desculpas a todos que esperavam alguma coisa mais técnica ou algum tipo de comentário sobre o filme mas sei lá, o filme meio que fala por sí mesmo e não me sinto capaz de adicionar muita coisa pra além de dizer que todo mundo que trabalhou nele é muito maneiro e que depois dele o Luiz Telles meio que virou uma referência importante pra mim.
Eu gostava mais dessa segunda ideia pro cartaz.

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