Eu me senti bastante surpreso ao ser confrontado com o sulflix. Não era uma coisa que eu tava esperando e não era uma coisa que eu sabia que ia gostar, mas quando eu vi alguém falando sobre eu com certeza achei uma boa ideia. Dez reais por mês pelo poder de assistir filmes feitos em lugares que eu já vi, com pessoas que falam de um jeito que parece com o meu é um bom negócio pra mim.
Me agrada a ideia de que existe gente tentando viabilizar e distribuir o cinema regional apesar dos pesares. E o nosso cinema regional é interessantíssimo. Eu assisti Antes que o mundo acabe hoje. Eu pensei bastante sobre a minha adolescência enquanto assistia. As poucas vezes em que andei por Porto Alegre, os mal entendidos, os desentendimentos, os meus amigos, os meus amores, os desamores e todo o resto das coisas que afligem um adolescente.
Eu também pensei bastante sobre filmes com esse filme, ele usa uma série de recursos de áudio, fotografia e vídeos de uma maneira específica, brincando com a atmosfera do som e com como percebemos as imagens, oferecendo a quem assiste um pouco mais do que uma representação da realidade. A montagem me divertiu e a ideia dos vários narradores ao longo da história contribui bastante pro retrato que o filme pinta. Um retrato em filme, de um sentimento muito específico. Eu gostei bastante.
Fim de ano, não sei o quê, não sei que lá, acho que esse é um bom momento pra pensar sobre o passado. Me pergunto por quanto tempo vou pensar sobre as mesmas coisas e se mais alguém pensa nelas. Se alguém pensa sobre o que eu faço e como pensa sobre isso.
Na adolescência a vida era outra, me pergunto como vai ser quando o outro for o eu de agora.
p.s.: A banda dos créditos do filme, caso você não assista cham os the darma lóvers e eu gostei muito dela.