Eu não consegui pensar em um bom título pra essa postagem.

Já faz um tempo que eu venho ensaiando essa postagem, eu quero deixar algumas coisas um pouco mais públicas mas sinto que eu preciso de alguma forma justificar como, porque ou desde quando eu faço escrevo rimas. Talvez eu queira me proteger de alguma acusação que eu não sei exatamente qual é, mas que imagino que vai vir. Mais do que todas as outras coisas que eu faço, essas são as que eu mais tenho receio de mostrar. Acho que ta na hora de confrontar isso.

Muita coisa do que eu escrevi já foi perdida, perdi um caderno inteiro em 2017 e as diversas mudanças dos anos subsequentes ajudaram a fazer com que coisas fossem se perdendo por aqui e por ali. Apesar de eu adorar guardar, eu não sou muito bom nisso. Nesse último ano eu tive essa ideia de escrever um álbum e desde então tenho guardado com um pouco mais de cuidado o que escrevo. Eu não sei muito de música então tudo ainda é só texto e algumas melodias que existem na minha imaginação e nas gravações de áudio do meu celular. O plano é descolar um tecladinho ou um violão (talvez os dois) e aprender o suficiente de música pra colocar tudo isso em movimento.

Até lá, vou deixar um pouco do que tenho por aqui. Porque pode ser que alguém ache interessante de ler e também porque se esse álbum acabar nunca acontecendo, fica aqui registrado que ele existiu, se não na sua forma final, como uma ideia.








Acho que ta na hora de soltar isso aqui no mundo.

 O meu TCC foi uma das coisas mais assustadoras, divertidas, entediantes e tranquilas de se fazer. E eu não sei porque mas eu nunca mostrei ele pra muita gente. 

Era o meu último ano em Pelotas e eu queria fazer algo que de alguma forma guardasse pra mim o que eu sentia e queria guardar daquele tempo. De lá pra cá eu encurtei um pouco as minhas frases, fiquei um pouco mais econômico com as vírgulas e me mudei algumas vezes. Agora, eu entendo um pouco melhor o que eu fiz naquela época e o que esse trabalho significa pra mim.

Nele eu de uma forma ou outra apresento a minha perspectiva de Pelotas a partir da minha relação com o meu apartamento e com os arredores de onde eu morava. Lugares que eram completamente mundanos, onde raramente acontecia alguma coisa muito importante. Lugares que também eram incrivelmente preciosos pra mim, que passei um tempo muito importante da minha vida ali.

Hoje eu vejo que esse trabalho - apesar de na época eu ter achado que era sobre mim, minha rotina e meus amigos - é, no fim das contas, sobre um espaço que eu tive a oportunidade de habitar. E é por isso que o que eu guardei ali é tão precioso pra mim. 

Eu nunca fiquei completamente satisfeito com esse trabalho. O ritmo da faculdade e todos os medos e ansiedades que me atingiram quando eu percebi que ela estava pra acabar me pegaram um pouco desprevenido. Eu sinto que não dei pra esse trabalho todo o carinho que ele merecia e talvez tenha sido por isso mesmo acabei deixando ele na gaveta por tantos anos.

Acho que finalmente é a hora de colocar ele no mundo e pensar no que eu vou fazer daqui pra frente. 




















Obrigado se você leu até aqui e se você quiser comentar algo, eu acho que ia achar maneiro. Por hoje é isso.

Paisagens extra terrestres e o que se fazer quando não se sabe o que fazer.

Eu tenho uma dificuldade imensa em começar. Parece bobeira mas, encarar qualquer tipo de nada me causa o mais intolerável dos desconfortos e - ao menos pra mim - trabalhar a partir de algo sempre acaba sendo muito mais fácil. Dai o fato de que toda essa coisa de pintura e desenho sempre acaba sendo muito difícil pra mim quando o objeto do trabalho não é resultado de alguma observação.

Quando encaro o papel ou a tela em branco sempre me parece que eu não sei exatamente o que eu quero dizer ou mostrar ou sei lá qual outro verbo da pra usar como motor para a famigerada ~ ação artística ~. Numa dessas decidi que esse passo ta um pouco mais comprido que a perna e que antes de tudo eu acho que ainda preciso estudar mais um bom tanto. No começo desse ano ou no fim do ano passado comecei a me dedicar mais à pequenos exercícios de composição  - uns quadradinhos no canto do caderno onde eu construía algumas cenas mais ou menos abstratas e isso me entretinha por muito tempo. É aquele tipo de passatempo que a gente pode fingir que é algo prático, eu gosto de fazer degradês e padrões sem nenhum motivo aparente quando tê entediado e isso pode facilmente ser caracterizado como estudo.

Desde que me mudei tenho tido uma vontade não correspondida pelas minhas ações de fazer algo, mas sempre que pensava em começar percebia que não sabia muito bem o que fazer. A coisa ficou nesse círculo vicioso por alguns dias até que decidi começar de algum lugar. Foram uns bons dias só vasculhando cadernos antigos e me confrontando com aquele constrangimento específico que a gente sente quando encara o passado as vezes. Folheando alguns cadernos mais recentes encontrei alguns desses estudos de composição em um cantinho. Separei os que eu achei mais divertidos, tirei uma fotinha, e decidi fazer algumas pinturinhas digitais a partir deles.

Aqui uma fotomontagem dos estudinhos da página em questão.


Acabei me divertindo mais do que eu esperava no processo e em um momento ou dois me peguei dando umas risadinhas enquanto pintava e confesso que essa era uma coisa que já fazia um bom tempo que eu não sentia com alguma pintura. Real essa era uma coisa que eu sentia uma certa falta. As escolhas foram mais ou menos todas baseadas nas interações das cores, suas temperaturas e o tipo de movimento que elas traziam para a peça. E por fim, como eu já tava trabalhando no digital mesmo e não tenho pretensão de ter qualquer versão impressa dessas peças fiz tudo do jeito mais rgb que eu pude e deixei no formatinho de tela do celolar porque é onde eu imagino que isso mais vai ser visto levando em conta que 2020. Sei lá, se eu to trabalhando no digital, achei que seria válido uma visualidade que também depende de ser digital pra funcionar e tal.

O resultado foram essas imagens em formato retrato desse lugar que existe, se não no mundo real dentro da minha cabeça e que tem uma vibezinha que eu acho divertida. Os nomes são Respectivamente: Billy, Bolly e o Thiago, Cachorro Et e Sinceramente não consegui pensar em um bom nome pra isso.

  


Ainda não sei muito bem quais são os temas que eu quero tratar quando trabalho, ou mesmo como eu trataria eles. Mas pelo menos eu lembrei que consigo me divertir com essa coisa toda de pintura, desenho e produção de imagens.