Acho interessante pensar no que se faz sem ter propósito. Ou no que se faz por fazer, tenho pensado sobre as diferenças que existem entre o que eu gosto de fazer e o que eu gosto de ter feito e as vezes eu sinto que a linguagem é um prisma sorrateiro para a interpretação do mundo.
Acredito na ideia de que somos moldados pela linguagem, pelas palavras que usamos e pelo que elas representam em seus determinados contextos. Eu demorei muito tempo até perceber que não sabia o que significava a palavra felicidade. As vezes sinto que ainda estou aprendendo a falar. Uma vez ouvi de um sujeito que o momento onde a gente acaba de nascer é o mesmo em que se morre e eu gostaria de nunca esquecer isso. Por algum motivo, fiquei me sentido uma flor em um vagaroso processo de desabrochar
Tenho pensado no meu próprio cultivo. Os meus adubos, o meu território ideal, os modos como eu gostaria de crescer e como fazer isso. Cuidar de uma planta é muito mais difícil do que parece, principalmente quando a gente quer que ela dê frutos em ume terreno ou clima complicado. E se tem uma coisa que as coisas tem sido, essa coisa é complicada.
Talvez por isso o fazer tenha aos poucos permeado as minhas reflexões com algumas perguntas: O que? Como? Por quê? Pram quem? Quando? Em quais condições? Por quanto tempo? E no meio disso tudo e das outras coisas que eu tenho feito, eu tenho desenhado.
Tenho desenhado o que quero desenhar. Tenho desenhado como quem caminha sem ter um rumo e tenho gostado disso. Eventualmente eu quero escrever sobre alguns desenhos do meu caderno de maneira estruturada mas isso vai envolver um scanner ou uma câmera e um tempo de processamento dessas imagens e de como eu penso sobre elas. Por isso vão ficar aqui os meus caminhos digitais desses últimos tempos em uma ordem um pouco cronológica, mas não muito.