Você compraria uma criatura de crochê?

Wal começou com a coisa do crochê já faz um tempo e de lá pra cá ganhei uma série de toquinhas, um chapéu de bruxo e uma regata. Nos primeiros dias ela acabou tendo um caso leve de tendinite porque ao contrário de mim mulher é muito boa em fazer a mesma coisa por muito tempo de uma maneira bastante obsessiva. No começo ela procurava e seguia receitas. Não demorou muito a começar a inventar as próprias ideias e pra atender um pedido de natal da mãe dela fez brotar no mundo o Triceratops - fui eu quem deu o nome. 



O Triceratops tem bastante vergonha de aparecer e gosta de lugares macios, coisas cheirosas e de comer capim. A gente não é muito amigos e logo mais ele vai morar no Cassino, em Rio Grande. E acho que pra além de ser adorável ele também acabou sendo importante pra descoberta de um novo interesse. A Wal que vivia dizendo que não queria fazer bonecos acabou alguns dias depois começando um novo projeto. 



A gente tava do lado de fora de casa por conta de uma dedetização, ela decidiu que queria fazer um rato. No meio de olhar fotos, falar bobagens e ficar esperando acabou que fiz esse desenho do primo do Ratattouile. Ela riu e imediatamente desmanchou o boneco que já tinha pela metade pra trazer ele a vida e dessa vez foi ela quem escolheu o nome - Guei. O Guei não é muito educado e odeia usar calças; foi fumante por bastante tempo e justamente por isso tem uma péssima capacidade pulmonar; ele adora deitar e ficar tranquilo, gosta da natureza e de gente maneira e a Wal quer vender ele e tem muita vergonha de falar isso muito alto no mundo. No momento ele só tem essa roupa que eu fiz e confesso que acho um pouco esquisito vender um rato anarquista. Infelizmente essa é uma coisa comum no mundo em que vivemos.