Dormir, sonhar e acordar de novo.
Voltei a uns dias pra casa e tenho ensaiado o primeiro texto do ano. Nunca fui muito de fazer a coisa de listas e resoluções e essas coisas. Houve um tempo em que a época me parecia um bom momento pra olhar pro passado e nesse momento não sei muito bem como me sinto sobre a coisa toda. Eu e Wal fizemos nossa primeira roadtrip e exceto por alguns contratempos mecânicos a viagem toda foi bem bacana. Não levei o computador pra viagem e ainda assim escrevi um pouco nesse tempo. Quase não desenhei e não fiz nenhuma animação.
Visitamos nossas mães, primeiro a dela e depois a minha, aproveitando os entretempos para encontrar os amigos de terras distantes. É engraçada a constatação de que com o passar do tempo as pessoas seguem elas mesmas, crescendo cada uma a sua maneira. Tava lá o Vicente falando de trabalho, Pedro casou, João ainda emana a mesma energia, Camille também, Geminy ainda perde o carisma, mesmo que tenha parado de fumar o Repolho ainda é o Repolho, Bibi ainda fuma e tá tentando reduzir, O Denis ainda tá quase sempre no Repolho, a Ivana tá com o cabelo mais comprido e o Nadico as vezes parece um tipo muito específico de bonsai de gente.
Teve também as pessoas que não vi. Sobre as quais sigo me informando à distância. Não econtrei Ari, Gabi e Lucas não colaram no ano novo e não vi Bruna, não vi Jana e nem Angélica. Acho que mesmo sem encontrar continuo sabendo mais ou menos como elas são através de um ou outro momento que o fluxo de conteúdo digital me mostra.
2025 foi com certeza um ano e como em qualquer outro muita coisa a conteceu. Gostei muito de como a coisa toda começou e foi divertido acompanhar o desenvolvimento. As vezes alterno entre ligar muito e ligar pouco pra como exponho minha vida na internet, exposição parece ao mesmo tempo divertido e perigoso. Gosto do caminho que minha vida tem tomado e não é sempre que me sinto cem por cento capacitado pra caminhar nele e ainda assim caminho. Pensei bastante sobre realidade, ficção e teoria e tenho como objeto de fixação recente a ideia de mídia. Minha primeira experiência com uma lavoura experimental não foi exatamente um fracasso e com certeza não foi um sucesso. Comecei a me envolver com os eventos e movimentos sociais da minha região e me percebi um tanto quanto mais direto e explícito nas minhas elaborações. Já fiz coisas difíceis antes e consigo fazer elas de novo.
Treinei Muay Thai por uns meses e foi uma experiência legal. Senti um pouco de falta da energia trocação violenta entre amigos e depois de ficar um ou dois meses parado, meu corpo ficou bem mais fraquinho. Acho essa coisa toda de músculo e gordura e nutrição e carboidratos uma loucura. Comecei a prestar mais atenção no meu peso e na minha forma e sinto um tipo muito específico de nojo quando penso na coisa toda de ter, ser ou viver em um corpo biológico. Quer dizer que eu consigo contrair um pedaço de carne e que se ele não estiver sendo usado ele encolhe e eu excreto excesso de peso pela respiração? É esquisito também reparar nos modos como a fome aumenta ou diminui de acordo com a atividade, acho legal também pensar na coisa toda da nutrição e de o que ou como comer de acordo com as necessidades do dia. Mesmo que eu ainda não saiba muito sobre nutrição. Soquei o nariz de alguém esse ano e acho que a parte legal do esporte é que no final não fiquei com medo de que alguém me emboscasse na rua. Também é muito esquisito porque apesar de ser muito mais seguro trocar soco sem óculos perco uma quantia considerável da minha capacidade de esquiva quando não consigo olhar o rosto da outra pessoa. Tenho pensado em comprar um daqueles óculos esportivos de jogadores de rugby. Fiquei um tempo sem alongar também e é muito ruim ficar com o corpo todo duro. Lí alguns livros e pensei muitas coisas, não sou uma daquelas pessoas super estudantes dez mil leituras e sempre tô lendo alguma coisa ou outra, um pouco de teoria, um pouco de ficção e gosto bastante da coisa toda. Tenho escrito progressivamente mais também e acho isso bastante positivo. Comecei a trabalhar alguns projetos novos de quadrinho e animação e aprendi bastante. Noivei e vivi muitas aventuras e sorri e corei e senti muitos sentimentos gostosos e difíceis e espero que a vida continue.
Acho que pra esse ano quero continuar tudo o que já comecei, aprender, treinar e me dedicar no, na e com o desenho, a terra, a Wal e o mundo ao meu redor. Tenho um roteiro pra terminar e um galinheiro pra construir, quero trocar o forro de casa e levantar o piso da cozinha. Quero fazer mais do lado de fora e usar bem meu tempo do lado de dentro. Quero ficar cada vez mais cuidadoso e afiado nas minhas práticas e acho que quero ganhar um pouco mais de dinheiro também, que é um dos recursos que tenho um pouco em falta.
No fim escrevi um texto de ano novo. Acho um pouco engraçada essa coisa toda de livre associação. O intuito inicial era trazer aqui o pouco que escrevi durante esse período de recesso e quando parei pra ver percebi que eles ainda não acabaram e acho que isso é um bom sinal. Por um longo tempo tive um tipo esquisito de dificuldade em dar continuidade às coisas que escrevo e agora sinto que preciso de um pouco mais de espaço pra colocar em palavras todas as coisas necessárias pra que os textos cheguem ao fim. Começamos mais um ano.
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