A vida tem mudado, eu tenho mudado. Daquele jeito que só as pessoas mudam. Transformando os arredores enquanto mantenho o centro. Tem uma voz dentro de mim que eu preciso lembrar de nunca mais ignorar porque a verdade é que ela sempre sabe o que é melhor pra mim. Tenho feito o meu melhor pra parar de ignorar isso. Pela primeira vez na minha vida eu sinto meu corpo saudável, tenho corrido, treinado algumas acrobacias, trabalhado na terra, dançado e mantido as minhas práticas de yoga e meditação. Tem sido muito bom morar com meu pai e acho que até ganhei um nome novo.
Também tenho desenhado pra caramba, de um jeito que acho que não desenhava desde menino, tenho desenhado pra me divertir e isso tem sido uma das melhores coisas em todos os meus dias. Tenho me sentido feliz em ser capaz de desenhar como tenho desenhado e as vezes é como se os últimos dez anos em que eu me fodi pra nunca deixar de me dedicar ao desenho de repente estivessem valendo a pena. Estudar funciona e eu precisei estudar muito até me sentir satisfeito com as minhas capacidades, fico curioso em saber como as coisas vão se desenvolver a partir de agora.
A verdade é que pelos motivos mais materialistas possíveis eu sou um utopista, eu acredito que não faz sentido me mover em uma direção se essa não for a melhor direção possível que eu seja capaz de imaginar. Ao mesmo tempo, nunca esqueci de uma entrevista do Jay-Z onde ele fala sobre o Notorious B.I.G. e sobre como no fim das contas ele era só uma pessoa, uma pessoa ridiculamente boa e dedicada ao que fazia, mas uma pessoa. E acho que no final todo mundo é só uma pessoa, o Loutrec, o Cézanne, o Klee, o Kandinsky, a Arakawa, a Shirahama, o Fujimoto, a Linspector, o Suassuna e assim por diante, são todas pessoas que se dedicaram muito, não acho que é muito idealismo da minha parte pensar que eu também consigo. A real é que eu tô mirando alto porque eu sei que eu também sou uma pessoa, eu sei o quanto eu consigo aprender quando me dedico e sei que se eu continuar praticando o desenho, a escrita, a animação e os quadrinhos por mais dez, vinte ou trinta anos e me dedicando a estudar e aprender cada vez mais nesse tempo. Me tornar uma das pessoas que eu admiro é inevitável. Demorou um bom tempo pra que eu pudesse afirmar isso sem me sentir um mentiroso e agora sou capaz de dizer com confiança: eu acredito em mim e no que eu sou capaz de fazer. No final das contas a utopia serve pra isso, pra que a gente siga caminhando em direção a algo melhor. Eu pretendo caminhar até morrer.
E como parte da minha dedicação à mim mesmo e ao que acredito, comecei um projeto do qual uma parte considerável dos desenhos que acompanham essa postagem fazem parte, eu não vou falar muito sobre ele porque tenho tentado aprender um pouco mais sobre o silêncio por esses dias. Mas tá vindo e vai ser foda! Fica aqui uma prévia.






























